Fusões e aquisições voltam a crescer nos EUA; movimento pode beneficiar o Brasil

ago 25, 2022

Por Aline Bronzati e Altamiro Silva Junior

A retomada dos negócios de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) nos Estados Unidos nas últimas semanas deve avançar para outros mercados, incluindo o Brasil, na avaliação de especialistas. Embora grandes negócios estejam acontecendo, em 2022 o ritmo das operações tem sido mais fraco que o esperado no mercado brasileiro, com algumas companhias aguardando um quadro de menor incerteza fiscal e política, após as eleições, para avançar nas conversas de compra ou venda.

Dados da S&P Global Market Intelligence, a pedido do Estadão/Broadcast, mostram que as transações anunciadas no Brasil no acumulado de agosto somam US$ 1,74 bilhão, quase R$ 9 bilhões. O volume é inferior ao de julho, que totalizou US$ 2,24 bilhões ou R$ 11,4 bilhões. No entanto, já encostam na cifra de junho, de US$ 1,83 bilhão, ou mais de R$ 9,3 bilhões.

Em número de negócios, porém, assim como nos EUA, no Brasil, agosto ainda está mais tímido. Até o momento, foram 17 transações contra 40 em junho e 53 em julho, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

“O movimento de retomada dos M&As começa nos EUA, mas se espalha para outros países. Quando o capital americano volta às compras, mira não somente os Estados Unidos como o resto do mundo também”, diz o sócio do escritório de advocacia norte-americano Hughes Hubbard & Reed LLP, Carlos Lobo.

De acordo com ele, a velocidade com que o “fenômeno norte-americano” chegará nos outros países vai depender das circunstâncias. No Brasil, por exemplo, as eleições presidenciais em outubro geram incertezas, pondera. No entanto, na força contrária, o País já apresenta queda na inflação e o processo de aperto monetário está próximo do fim.

“O Brasil pode se beneficiar do movimento nos Estados Unidos assim como a América Latina”, afirma Lobo, em entrevista ao Broadcast.

No Brasil, dados da Kroll mostram que as M&A anunciadas em julho caíram 17% na comparação com o mesmo mês do ano passado, o sexto mês consecutivo de redução. No primeiro semestre, foram anunciadas 735 transações, contra 752 no mesmo período de 2021.

 

Fonte: Estadão