A copa do mundo

nov 18, 2022

A “Copa do Mundo⚽” vai começar e não tem como ficar fora deste assunto, afinal, o futebol é o esporte mais popular do mundo, com uma estimativa de 4 bilhões de admiradores.

O campeonato surgiu em 1928, criada por Jules Rimet, presidente da FIFA de 1921 a 1954, com o intuito de unir as nações.

Com o passar dos anos e da popularização do esporte, a Copa do Mundo tornou-se um evento grandioso e mobiliza uma abundância de recursos e investimentos.

Como sabemos, a Copa é realizada a cada 4 anos. E o que acontece neste meio tempo com o mundo do futebol?

Fazendo uma analogia para os negócios, os clubes de futebol tornaram-se gigantes do mercado com investimentos de entidades privadas e empresas de marketing que promovem a imagem do clube, enaltecendo seus jogadores e vendendo essa euforia, consumida pelos torcedores.

Entre uma Copa e outra, os clubes criam estratégias de crescimento e visibilidade. Uma dessas estratégias são as operações de fusões e aquisições de clubes, porém bastante controversas no futebol. Enquanto para alguns são apenas operações comerciais destinadas a melhorar o desempenho esportivo e financeiro dos clubes, para muitos é improdutivo e propenso a insucessos.

Processos de M&A no esporte trazem algumas dificuldades no caminho, pois mesmo quando uma consolidação é a única forma para a sobrevivência de um clube, os membros da equipe e torcedores podem considerar essas transações a perda da identidade e símbolos do clube. Especialmente se considerarmos que o processo de decisão em muitos clubes esportivos é bastante complicado devido a múltiplos stakeholders. Mesmo que a gestão opte pela consolidação, os sócios do clube podem recusá-la e bloquear a operação.

A compra e venda de clubes tornou-se uma parte importante da narrativa do futebol, e muito comum na Europa e na América do Norte. Porém, o cenário no Brasil é um pouco diferente, os clubes de futebol não se compram mutualmente, então as aquisições são limitadas a pessoas: o gerente, os jogadores e a equipe em geral. Em 2021, as transações envolvendo clubes e atletas chegaram a R$ 2,2 bilhões, segundo relatório da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Modelos de negócio no futebol estão associados à forma como os clubes operam e como geram valor a seus acionistas.

No mundo em que os clubes possuem acionistas, temos duas divisões claras: clubes com investidores em futebol, em que os acionistas colocam capital em risco, que precisa ser remunerado e retornado; e clubes com donos. Para esses, a remuneração de capital é irrelevante, pois os clubes são meios de fazer política e relacionamento, quando não apenas uma paixão.

Para entender um pouco da aplicação do M&A no mundo do futebol, vamos conhecer alguns números impressionantes deste mercado:

⚽ BRASIL

  • 2022: O grupo Futbraz comprou 90% das ações do Athletic Club, de São João del Rei.
  • 2021: Ronaldo Nazário (ex-jogador) comprou 90% das ações da SAF do Cruzeiro, com investimento de cerca de R$ 400 milhões.
  • 2021: John Textor – empresário americano – adquiriu o Botafogo por R$ 400 milhões e assumiu a dívida do clube, totalizando R$ 1,4 bilhão na transação.
  • 2019: A Red Bull fechou uma parceria com o Bragantino, assumindo o comando do futebol do clube.

⚽ MUNDO

  • 2022: CAA adquire ICM Partners em acordo de US$ 750 milhões (Em 2019, a CAA adquiriu a Base Soccer, uma das maiores agências esportivas da Grã-Bretanha, com mais de 300 clientes. Um ano depois, a ICM fechou um acordo para comprar o ainda maior Stellar Group, no que foi considerada a aquisição mais cara da história da empresa.)
  • O maior grupo de proprietários em termos de número de clubes é o City Football Group (CFG), com clubes de futebol em 10 países diferentes ao redor do mundo. Hoje é o proprietário ou principal acionista de 11 clubes no mundo, com destaque para o Manchester City (Inglaterra), New York City (Estados Unidos) e Palermo (Itália).
  • 2021: A ALK Capital, empresa de investimento especializada em esporte e mídia, comprou 84% das ações da Premier League através do seu braço de investimento esportivo, Velocity Sports Partners, e assumiu o controle. Dentre os principais destaques para os times estão: Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham.
  • Nos últimos 15 anos a Red Bull se estabeleceu como uma grande força no futebol mundial, começando com a aquisição e rebranding do FC Red Bull Salzburg no mercado doméstico Bundesliga da Áustria em 2005 antes de adicionar o New York Red Bulls (EUA), RB Leipzig (Alemanha), FC Liefering e FC Bragantino do Brasil.
  • Nos últimos 4 anos, 63% das transações ocorreram em clubes na Inglaterra ou Itália.

O que os clubes ganham e perdem na Copa do Mundo?

Uma leva de jogadores dos clubes brasileiros já se apresentaram às seleções nacionais para as Eliminatórias da Copa do Mundo.

Apesar do roteiro de desfalques em torneios nacionais durante a data Fifa, para os clubes, o campeonato é visto como bom negócio porque as convocações dão visibilidade aos jogadores e aumentam o potencial de venda futura.

Neste ano, a Fifa vai remunerar os clubes por cada jogador convocado para a Copa do Mundo do Qatar. A entidade estima que desembolsará mais de 200 milhões de dólares (mais de R$ 1 bilhão na cotação atual) com os pagamentos aos respectivos clubes de cada atleta.

A entidade vai pagar cerca de 10 mil dólares (R$ 52,1 mil na cotação atual) por dia, incluindo o período de preparação oficial, por cada jogador convocado.

A seleção brasileira se apresentou para o período de preparação oficial no dia 14 de novembro, em Turim, na Itália. Toda equipe de Tite estreia na competição no dia 24 de novembro, diante da Sérvia.

NO CAMPO DO M&A

As últimas aquisições e transações demonstram um bom exemplo de como as grandes corporações estão investindo no mercado do futebol.

Com a visibilidade de uma Copa do Mundo, não somente os jogadores, mas os times serão observados. Os grandes eventos esportivos ampliam a demanda por futuras iniciativas.

As perspectivas são positivas e o mercado de M&A recebe muito bem as mudanças esportivas.

É a hora de colocar o time em campo, rumo a novas conquistas!

Fonte: Wall Street Journal / Dow Jones & Company / Goal / CNN Brasil Business / Infomoney