O M&A é Rock’n’roll!

jul 13, 2022

No dia do rock é assim, falamos de sucesso musical e empresarial. E começamos com uma pergunta para você: “Quanto você pagaria por um álbum da sua banda favorita ou cantor favorito?”.

Saiba que as apostas são altas, prepare-se para ver números surpreendentes!

Com base em valores confirmados e informações de fontes do setor musical, durante o ano de 2021 – pelo menos 5 bilhões de dólares foram gastos em aquisições de direitos de catálogos e músicas nos mais de 60 acordos efetuados.

Esse número inclui acordos para catálogos individuais vendidos por artistas e compositores, além de aquisições de portfólios de direitos musicais (incluindo aqueles de propriedade de gravadoras/editoras ativas).

O mercado de fusões e aquisições de direitos entrou em ação já em janeiro de 2022 com a notícia de que o Warner Music Group, por meio de sua subsidiária Warner Chappell Music, adquiriu os direitos globais de publicação das músicas do catálogo de David Bowie. O preço do negócio ficou em torno de 250 milhões dólares.

onfira aqui, alguns números do Rock no M&A em 2021 e 2022:

  • Primary Wave adquire participação no pacote de direitos de James Brown em acordo de 90 milhões de dólares.
  • O Hipgnosis Songs Fund confirmou que, no período de abril a setembro de 2021, gastou um total de 260 milhões de dólares em direitos autorais de músicas. Essas aquisições incluíram o catálogo de músicas do Red Hot Chili Peppers, um acordo que custou à Hipgnosis cerca de 140 milhões de dólares.
  • O fundo da Round Hill, listado no Reino Unido, gastou 282 milhões de dólares em sucessos gravados pelos Beatles, Marvin Gaye e outros.
  • No início de 2021, Primary Wave compra a lendária Sun Records em um acordo de 30 milhões de dólares, incluindo masters para Johnny Cash, Jerry Lee Lewis.
  • Hipgnosis adquire catálogo de Michael Bublé e do produtor do Metallica Bob Rock.
  • Round Hill compra catálogo de Billy Duffy, compositor e guitarrista da banda de rock britânica The Cult.
  • Reservatório adquire catálogo do lendário produtor de rock Tom Werman.
Beatles

Curiosidades no Valuation:

  • Se o Queen vendesse seus direitos musicais hoje, em um cálculo feito por especialistas, os direitos de royalties poderiam alcançar a quantia de 1,1 bilhão de dólares (~6 bilhões de reais).
  • Tudo o que diz respeito ao rei do Rock, Elvis Presley, é hoje de propriedade da empresa Authentic Brands Group. Estima-se que o valor pago pela empresa foi de 125 milhões de dólares.
  • David Bowie, além de músico visionário, também causou sensação em Wall Street ao se tornar em 1997 o primeiro cantor a transformar seus direitos autorais em um investimento financeiro muito especial, os títulos. Antes de sua morte, o cantor lançou os “Bowie Bonds”, títulos garantidos por suas músicas.
  • Hiognosis Fund foi criado por Merck Mercuriadis – ex-manager do Guns N´Roses, e tem um portfólio avaliado em 8,1 bilhões de dólares com catálogos de músicas.
Elvis Presley

Fusões e aquisições se tornaram atraentes aos rockeiros e claro, a toda indústria musical!

Os direitos de publicação são um negócio lucrativo, um bom exemplo disso foi o investimento feito por Michael Jackson com a aquisição de 251 músicas dos Beatles por mais de 47 milhões de dólares em 1985, dobrando o valor investido em menos de 10 anos.

Mas esse catálogo era barato para os padrões de hoje. Esses acordos permitem o acúmulo em receita de royalties, bem como quando a música é licenciada para uso em filmes, TV e publicidade. No caso de grandes artistas populares com grandes catálogos, isso pode gerar uma receita significativa ao longo do tempo, o que justifica as enormes somas gastas nos catálogos de maior prestígio.

A aceleração das aquisições foi impulsionada por vários fatores, talvez o mais notável seja a crescente popularidade do streaming de música. Com muitos shows cancelados na maior parte do mundo ao longo de 2020 e 2021 (devido a pandemia), os artistas foram forçados a considerar formas alternativas de gerar receita.

O economista musical Peter Tschmuck, da Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena, disse que as motivações para essas vendas de direitos variam. “Pode ser uma fonte de renda adicional, já que, afinal, muitas oportunidades de performance foram eliminadas”, disse ele sobre artistas mais jovens que vendem direitos de publicação em meio a uma pandemia.

Enquanto isso, artistas mais velhos como Bob Dylan podem querer garantir que seu legado musical seja gerenciado adequadamente para as gerações futuras, acredita Tschmuck.

Se engana quem pensa que rock’n’roll se resume ao som alto das guitarras e a muita atitude no palco.

Não basta saber cantar ou compor músicas de sucesso; é preciso aprender continuamente, formar parcerias, construir uma marca forte, entender de empreendedorismo e cuidar muito bem do seu dinheiro. E, claro, construir um legado.

E 2022 ainda está na metade. É ano de M&A bebê!

Banda de música

Fontes: Music Business Worldwide / Veredito / Billboard